Hoje mais cedo chovia e trovejava, eu concluía um livro do Édouard Louis quando decidi salvaguardar minhas histórias. Uma vontade que voltei a sentir há, pelo menos, três anos - desde que comecei a me deitar semanalmente no divã - e que venho materializando indiscriminadamente por meio de notas dispersas em diários, aplicativos e arquivos de computador.
Esta é uma tentativa de dar ordem a tudo isso, aos meus diários e (tanto quanto for possível) ao meu processo psicanalítico. Me soa como uma evolução natural do meu esconderijo há muito abandonado nos confins do ciberespaço, um blogue - este mesmo - que criei aos 17 anos, onde eu escrevia, ilustrava e já manifestava atravessamentos que seguiriam comigo até os dias de hoje.
Neste lugar tão meu, quero salvaguardar pedaços da minha errância, como fiz quando este mesmo blogue me acompanhou ao decidir, com 21 anos, que mudaria de país. No entanto, hoje aos 33, passada a urgência da fuga, a viagem é, sobretudo, interna.